Com um Nome Desse e Alagoano só Pode ser Ladrão de Cavalo!

Ainda causa-nos fortes impressões, ouvir histórias do cangaço. Confesso que na juventude fui mais interessado, lia e queria saber tudo sobre. Hoje, sinto-me meio enfastiado. Acho que pelo desgaste do tema, pelo misticismo e sensacionalismo que acabou girando em torno. Também ao constatar que de tudo ficamos sabendo, diga-se de passagem, de fontes não muito confiáveis, muito pouco, havia acontecido de verdade.

Hoje em dia há historiadores que pautaram e pautam seus trabalhos em fontes fidedignas, altamente idôneas. Mas retomando um velho adágio que diz “uma mentira dita muitas vezes acaba virando verdade” o cangaço deixou sua marca indelével, irremovível de dor e sangue, na alma dos que ainda vivem e viveram tal período.

Conta minha mãe, um episódio ocorrido com seu pai, no caso meu avô, Thomaz Doroteu. De sérios apuros que teria passado ao ver-se diante de Virgulino Ferreira e sua corja. Relembrar o fato tanto tempo depois, é pitoresco, é até hilário. Muito embora só quem passou é que sabe. Ver-se diante um grupo dito como de mal feitores, sanguinários e que matavam sem piedade. O qual passaremos a contar. Dessa forma, um mero causo contado de geração em geração, passa a registro iconográfico entrando assim para os anais da história.

Corria o ano de 37. Lampíão e seu bando andava aqui pras bandas do nosso sertão alagoano, nas proximidades do sítio Gavião, Pedrão e Capim. Meu avô que era agricultor, estava ali, nos afazeres do campo, na sua propriedade que ficava a poucos quilômetros da cidade de Olho D’Água das Flores, dispensava cuidados a um animal, uma mula. O por do sol assinalava o fim de mais um dia. E eis que ele escuta um tropel de cavalos saindo da mata fechada. O chefe do bando resolve abordá-lo:

-Quem é o senhor?
-Eu me chamo Thomaz Doroteu Bezerra Santos de Sá.
-De quem é esse animal?
-É nosso sim senhor...
-Quer acompanhar nosso bando?
-Quero não senhor...
-Cabra frouxo...Com um nome desse, ainda mais alagoano só podia ser ladrão de cavalo!

*Nem por isso Lampião o deixaria em paz, Fê-lo refém e obrigou-o a acompanhar o bando até a Fazenda de Seu Esaú um fazendeiro rico que existiu por ali, à época. Numa oportunidade que lhes deram, enquanto tiravam mel dumas colméias, meu avô escapuliu.


Fabio Campos

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