CORDEL BANDEIRA DE SANTANA POESIA 14/10/2026














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SHOW DE ROCK CARNEIROS -ALAGOAS DOMINGO 11/10/2026.






Minha Neta OLIVIA Alguns Dias ANTES... DO DIA DA CRIANÇA Outubro DE 2026.





ANDOR DE SÃO VICENTE DE PAULO NA CAPELA DO ABRIGO DOS IDOSOS Em Santana do Ipanema. Logo após a Procissão em Honra ao Padroeiro do Bairro SÃO VICENTE DE PAULO Outubro de 2026.



Sepultamento de FLÁVIO VIEIRA Em Senador Rui Palmeira - Alagoas outubro de 2026


Vá em Paz, meu Irmão!


É SÓ.....


POESIA DA INDEPENDÊNCIA O SETE DE SETEMBRO 10/102026.



POESIA DA INDEPENDÊNCIA

1822-2014

192 anos do Grito do Ipiranga

 

Já se vão quase dois séculos

Desde que o Grito se deu
As margens do Ipiranga
Brasil ali floresceu
A Corte Real portuguesa
Retornara a Portugal
Deixando aqui o Príncipe
Por puro amor Filial.

Dom Pedro príncipe real
Esta Província regia
Recebeu de Portugal
Carta do pai que dizia
Retorne imediatamente
Para esta Primazia
Deixe a Colônia Brasil
É apenas Oligarquia.

O povo se revoltou
Do perigo se deu conta
Deixar o Príncipe o Brasil
Desprezo de grande monta,
A condição de Colônia
Retrocesso para a Ponta
O que pedia Dom João
Para nós era uma Afronta!

Dom Pedro convocou a base
Disse claro: Povo amigo!
O que pede o Rei meu pai
Pouco me importa não Ligo!
Não retorno a Portugal
Nesse caso eu me desligo!
“Para o bem do Brasil
Diga ao povo que Fico!”

Janeiro de (18)22
O ano mal se inicia
Foi importante “O Fico”
Motivo de Alegria
Não perdendo por esperar
O mais marcante viria
Setembro daquele ano
A data de mais Valia

A Província de Santos
O príncipe foi visitar
Naquele mês de setembro
Que jamais esquecerá
Imperatriz Leopoldina
Em Santos tinha a Marquesa
Queriam ver o seu Príncipe
Na Corte ser Realeza

Ao retornar da viagem
A Comitiva de frente
Veio a ela um Mensageiro
Na estrada de São Vicente
Que trazia

Para o Príncipe Regente
Retorne a Portugal
Obedeça ao Rei Urgente!

Bela tarde de primavera
Pedro Américo retratou
Aquela cena do Grito
Em que príncipe declarou
“Laços fora soldados
De Portugal não mais servil
De agora em diante. Está livre 

Está Livre o  Brasil!”



“Independência ou Morte!”
É minha a Declaração
A partir deste momento
Está Livre esta Nação
Essa Pátria que eu amo
De povo bom Altaneiro
Viva o Sete de Setembro
Viva o povo brasileiro!



*Esta poesia de autoria de Fabio Campos. Foi especialmente composta e recitada como parte integrante do Pronunciamento do Escritor e Poeta, quando da Abertura Oficial do DESFILE DE 07 DE SETEMBRO (Domingo) em Santana do Ipanema, no ano de 2014.


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CARTA do meu Pai JOÃO SOARES CAMPOS Pedido de Casamento aos Meus Avós...
Em: 07 de Fevereiro de 1944.







NOSSA SENHORA MARIA SANTÍSIMA 
DAI-ME VOSSA BENÇÃO, MINHA MÃE...




ESCOLA ESTADUAL PROF MILENO FERREIRA DA SILVA, ONDE TRABALHO.


MEU NETO DOMINIC




























E É SÓ POR HOJE....

 

A Terceira Porta... Conto 08/10/2026.




Uma xícara de café de arrumação, uma xícara de café de conversa, com discussão. Uma xícara de café, de olhar o mundo. Uma xícara de café. Uma colher de mexer, doces pensamentos. Uma xícara, quase meia, de solidão. A porta, da casa da minha vó, estava sempre aberta. Para tudo que quisesse, por ela, entrar: meninos, zoada, vento, ventania, redemoinho, senhora alegria, dona tristeza, poeira da estrada. O sol se arriscava. Entrava só um pouquinho, depois se ia.

Era uma casa de taipa. Tudo tão, impregnadamente túrgido de rusticidade. Os caibros roliços, retorcidos, escuros.  Renitência de negritude, de fumo, e fumaça, emanada do fogão a lenha. Tudo ali, tão alucinadamente trôpego. A cozinha era o que se podia chamar, de, o maior cômodo daquele casebre. Panelas de estanho suspensas, pelos seus pegadores, enganchados em pedaços de arame que semelhavam anzóis gigantes, pendidos dos caibros.

Dia, de lavar roupas, dia de duras pedras, de chão - embranquecidas de alvejantes – sob moles pedras de sabão. Palavras quentes fervendo, saídas da boca, com todo ranço de quem revoltada estaria, com o que era feito de todas as coisas. Com a lida, com a vida. Dia de lavar roupas amostrando, que aquilo não era vida de gente. E que nenhum ser vivente merecia - viver - vida daquele jeito. Dia de lavar roupa, era dia de tanger meninos, tanger galinhas do terreiro, tanger burro. Dia de ajuntar tudo, dia de tanger a falta de coragem. E a raiva ia pingando na areia, porque mesmo com tudo aquilo, tinha que ir. Para onde estava indo mesmo? Pra lá.  Lá pro beiço do riacho, se fosse tempo das trovoadas. Ou, danava-se pro açude, que no verão ficava feio. Mas, um dia, bonito novamente estaria. Quem sabe num sábado. Assim, bem de tardezinha.

Deteve-se olhando bem direitinho a rua. Achou que, aos olhos, se apresentava diferente. Não sabia exatamente o que, mas que havia algo, havia. Aquele pé de Velame? Como foi parar lá em cima das eiras, da casa de dona Aída? Foi o vento que levou! Foi não senhor, foi um pardal que cagou a semente lá! E que símbolo era aquele, na fachada da casa de dona Maria? Nunca que houvera percebido aquilo lá. E olha que, naquela rua, morava desde que nascera. As paredes da casa da minha vó. Toda vez que ia lá, sentia como que queriam abraçar. Sentia o calor, seu carinho, parva de saudade perguntando: Por onde andastes? Por que te demorastes tanto, a voltar? A cada vinda, quase não o reconhecia, sempre mais e mais esticado. As paredes da casa da minha vó tinham a cor, e o cheiro dela. À medida que ia, minha vó, envelhecendo, também as paredes da casa iam, adquirindo rugas, as que marcavam seu rosto.

Dia de lavar roupas, achou um talão de luz, não pago, por esquecimento. Achou de ser achado, logo ali no bolso da saia. Com a mão da raiva o amassou. Dia de lavar roupas, sempre, sempre, exigia dose extra de cortisol, nas estradas das veias, no caminho do sangue, quente. O aparelho de telefonia móvel, por si só, fazia um apanhado de tudo. O mundo chegando, na telinha, em todas as suas nuances. Mensagens de amor. Palavras, imagens, e o poder de mudar vontades, opiniões, comportamento, humor. Desejos e vontades ganhavam - e perdiam - forças. Um céu que não era habitado por Deus, e o poder de mudar de azul em lilás. As meninas na praça, debaixo de um sol escaldante. As roupas excessivamente ínfimas. Cheias de carne, de energia, de calor exalado. Não havia vontade suave, não havia desejo originalmente vindo do coração, os impulsos nervosos convergindo para as satisfações pessoais. Vontades exacerbadas. Inexistência de discernimento. Os netos mangavam de vó porque na hora do jornal nacional falava com o homem da televisão. Desculpava-se por cochilar, devolvia o boa noite. Oxente! E vocês não ficam aí, falando com essas televisões pequenininhas? Mas aqui vó, as pessoas conseguem falar com a gente!

Pardais não deviam discutir política. Eles, nada entendiam desse assunto. Mesmo assim, discutiam, e ficavam com raiva, uns dos outros. E tomavam partidos - literalmente - e brigavam. E marcavam território esfregando as penas do rabo nas biqueiras, nas redes de fios. E ai, do filhote de pardal desavisado que se metesse a besta, e ultrapassasse aquele limite. Uma espingarda soca-tempero. Dormia seu fedor de pólvora, entranhada entre caibros e ripas. Um facão embainhado num armador de rede. Uma imagem de Joana D’Arc, - numa moldura almofadada, com frisos de canto - ainda moça, jovem guerreira, na frente de batalha, tão longe de França. Porém, tão familiarizada com tudo aquilo. O piso irregular obrigava a andar, como quem pisava em brasas. E não havia muita diferença entre ali, e tropicar nos amoitados e veredas que compunham o vasto sertão, de em derredor.

As corujas rasga-mortalha tinham consciência da sua importância para sua prole, também pra cidade. As guardiãs dos templos, predadoras de morcegos, devoradoras de pequenas cobras, lagartixas, rãs, insetos, camundongos, gabirus, lacraias, escorpiões. Sobre corujas, meninos só sabiam coisas ruins, que traziam mau agouro. E que eram aves de bruxas, magos e outras criaturas abomináveis. Por isso consideravam-nas inimigas mortais.  As plantas nos caqueiros, elas quase não conversavam Simplesmente por não haver muita coisa, entre elas, pra dizer. Diante de tanta quietude, uma riqueza de sentimentos, de perfumes, de meles, e de cores. A ausência de bons gostos, só se via entre pessoas. Equipados com seus laptops e aparelhos de telefonia móvel. Os humanos pareciam, cada vez mais, desumanizado? Não seriam as plantas que estariam se robotizando, jamais. A mulher conversava com elas. Algo saudável, para ambas. Além da reciprocidade. Sentia que sua fala as alegrava.  Lá da sala vinha vindo uma música de ciranda, do tempo que as crianças, ainda brincavam em frente da televisão.

As paredes e suas reentrâncias, com variada serventia. Pendurava-se nelas touceira de corda, relhos de bater em animais, chapéus de couro, uma lamparina a querosene, uma cesta de cipó contendo folhas de catingueira, com ovos de galinha, uma sacola de pano, com um cordão na boca, cheia de farinha de mandioca. Um embornal encardido. O portão do chiqueiro dos porcos, enferrujado nas pontas, pintura gasta, de cor indefinida. Tinha dia que parecia azul claro, desbotado, noutros parecia um verde desmaiado. Muito viu, muito aprendera, muito ensinara. Crianças montaram nele, se balançaram. E foi tanta dor nas suas dobras, e o lamento viria em forma de assobios que imitava a respiração. Os meninos não sabiam, um dia, se vingaria.

A terceira e última porta, a da despensa de minha vó. Essa era puro mistério. Às vezes luminosos; às vezes dolorosos. Os quartos, não tinham portas, só cortinas. A habitação toda, talvez, não tivesse mais de dez côvados de fora a fora. Por quatro de largura. E menos de três, de altura. Talvez três no seu pé direito. De idade, porém, mais de século. Cada cômodo por menor que fosse, para as crianças, eram vistos como enormes. Aquele era tempo, em que os meninos ainda usavam calças curtas. As meninas, vestidos de chita. Muitos anos se passaram. Porém nunca esqueceria o que vivenciara ali. Minha vó, com uma xícara de café enxergava melhor o mundo. As coisas pareciam mais aceitáveis. Do líquido negro, tênue fumegar subindo embaçando a vista. Inebriando com seu perfume, a alma, os cabelos, as maçãs do rosto, os lábios finos, as pálpebras decaídas por cima dos olhos, de índia, de minha vó.

Os batentes eram feitos pra brincar de subir. E subir trocando rapidamente os pés. Quantas vezes brincamos daquilo. Nem lembrava mais, quantos anos tinha. Quando Francisco caiu, e  quebrou a perna. Depois foi a vez de... De quem mesmo? Não lembrava mais. A porta, da despensa. Sensação estranha invadia qualquer um que a olhasse. Parecia que alguém para além dela, estivesse observando. Olhos e ouvidos invisíveis, vendo, escutando. A porta, parecia um ser dotado de olhos, ouvidos, e uma boca, que quase rindo, sorria. Uma porta com sentimentos, com características humanas. Uma porta, que sentia saudade, que se alegrava com a chegada de pessoas, que ria, e que chorava, e ficava triste quando estava sozinha. Pois lhe batia uma solidão.

Um pedaço de couro de sola, dependurado ao lado espelho, servia para amolar a navalha do meu avô. O pincel de barba, de pelos brancos. O cabo de segurar, esse já era branco. Seria marfim? Talvez osso polido. A tesoura, e sua haste de apoio pro dedo indicador. Como uma vírgula, servindo, exatamente para isso, pra dar uma pausa. A chapeleira aceitava cavalheiramente: bengalas, quepes, boinas, bonés, gorros, e toda variedade de adornos de cabeça. A depender da freguesia que a barbearia recebesse, no diuturno salão azul, do meu avô.

Um balaio com frutas, mangas, mamões, laranja, melancias. Duas jacas num canto. Outro balaio com leguminosas, abóboras, feijão de corda, debulhado. Uma touceira de milho seco na espiga. Tinha dias que as coisas não pareciam reais. Como se tudo tivesse sido criado, como em uma revista em quadrinhos. E quando as pessoas falavam, suas falas iam estupefatamente plasmando sobre suas cabeças, em estapafúrdios balões. Se gritassem, poderiam sofrer grave acidente. Atropelados por grotescas letras desembalonadas caindo, despencando a não suportarem mais, o peso de si mesmas.

Casteado, sobrinho e afilhado da minha vó. Vagabundo, não queria nada com nada, na vida. Fugia de trabalho ou qualquer ocupação. Fugia, como o diabo foge da cruz. Dado a bebedeiras. Quando bêbado, dormia pelas calçadas. Mas o lugar preferido de dormir, a despensa da sua tia-madrinha, minha vó. Foi porém, numa noite de inverno, que o mais estranho dos acontecimentos, até então, percebido naquela casa ocorreu. Lá fora o vento assoprou anunciando um vendaval. E lá do pé da serra, veio um redemoinho que chegaria batendo nas portas igual touro brabo querendo entrar, ou por abaixo a humilde moradia.

Não dava proa distinguir ao certo que cidade era aquela, que dava pra ver através da janela. Talvez fosse apenas uma cidade imaginária. A destruição era amplamente visível. Parecia cena de filme de ficção científica. Daqueles que o mundo, num tempo tão à frente, que o progresso metaforicamente alardeado jamais existisse. Isso a menos de meio século  inexplicavelmente e aceitavelmente, nunca chegara. As ruas e avenidas, as pistas asfálticas cheias de destruição. Como a dizer que a humanidade que teria chegado o armagedom, o apocalipse. O que se via naquele instante, era exatamente o que sobrara.

E o trânsito nas nuvens do céu da cidade, muito mais intenso do que o de lá de baixo: tráfego de automóveis, carroças de burro, carruagens, monociclos, triciclos, motonetas, lambretas, patinetes. Homens, meninos, moças e mulheres, idosos, cegos e seus cães-guias. Ao entrar naquele cubículo, que a minha vó chamava de despensa, era como se entrar num outro mundo. Um universo paralelo. Como se abduzidos fossemos. Tragados para um mundo interplanetário, rico em tecnologias, cibernético. Para muito além daquela velha choupana. A porta entreaberta dava pra ver apenas uma nesga de escuridão profunda, capaz de dar medo, a quem a olhasse. Se acaso minha vó entrasse lá. E de cá alguém a chamasse. Simplesmente ela não conseguia ouvir os chamados. Como se realmente tivesse ido, para um lugar muito distante, dali.

A impressão que se tinha, era, que pra além daquela porta, houvesse um mundo mítico. A visão que se tinha, era de um vasto imaginário. Algo do espaço sideral, naves espaciais transitando numa alucinante conexão. Não se sabia que tipo de controle havia, para que as naves nunca se chocassem, umas com as outras. O tráfego era intenso, eletrizante. Havia excessiva exposição de brilho e cores. Uma tecnologia descomunal imperiosa, para milhões de anos-luz além da capacidade humanóide.

Dias, de tempestade faziam sumir a claridade diurna, dando lugar a uma escuridão palpável, possuidora de volume, cor, temperatura, com capacidade de ocupar cada milímetro cúbico de medo. Nessas ocasiões minha vó ia para debaixo da cama. O ar ficava sufocante, delirante, agonizante. Parecia puxar o único fluxo de oxigênio que ainda restava. Enquanto o vento norte abalava as estruturas daquele casebre. O laptop, o telefone móvel, e a maioria dos minicomputadores não haviam sido inventados ainda, nessa época. Porém, havia momentos que dava pra se ouvir nitidamente ruídos produzidos por jogos eletrônicos, vindo de lá, da dispensa de minha vó.

Na dispensa da minha vó, devia haver um campo magnético. Ali dentro, devia haver uma espécie de portal cósmico que atraía energia do universo. Seres intergaláticos, do nada, vinham parar ali. Talvez por puro acaso. Ou, por desvio de rota interplanetária, por acidente, ou incidente cibernético. Quando isso ocorria, as pessoas da casa nada percebiam. Ou quando percebiam, interpretavam erroneamente. Viam como sendo fenômenos místicos. Associavam a coisas vindas do campo da espiritualidade.  

Meu avô acordou atordoado. Nu, da cintura pra cima, se levantou da camarinha. De debaixo da cama pegou um facão e se dirigiu para a porta da cozinha. Uma certeza ele tinha, aqueles baques na porta diziam que do outro lado, não era só o vento que batia. De fato, lá fora uma aeronave planava o terreiro. Pilotado pó um jaguar, isso mesmo um felino metade bicho, metade humano que tinha capacidade, de raciocínio e falava. Possuidor de muito conhecimento histórico e filosófico. De co-piloto, um leopardo arrogante, de espírito aventureiro. Ambos navegavam uma espécie de dirigível, por sobre o nordeste. Tinham acabado de vir do tempo da guerra dos Guararapes. Isso porque eles tinham autonomia pra escolher em que época queria estar, pois navegavam uma máquina do tempo. 

Num canto da casa havia um local de orações, ali era permanentemente mantida aberta, uma bíblia, várias estatuetas de santos da igreja, entre estes o padroeiro da paróquia, santo Antônio de Pádua, que por sinal era representado pelo dito cujo, tendo Jesus, ainda menino, no colo. Isso em si, já seria motivo pra interrogação, como um santo vivido muitos séculos depois que Jesus morreu crucificado, poderia ter ele, o Cristo, nos braços, ainda criança de colo. Seria Francisco um visionário.

Um homúnculo vestido com roupas futuristas, sentado no banco, chamado de péla-porco, de meu avô. Serenamente se estava. Tentou exercer um contato com o velho, balbuciou palavras ininteligíveis. Ao perceber que seu interlocutor nada entendera entregou-lhe um dispositivo, e gesticulando pediu que o introduzisse no ouvido. Meu avô aceitou, e atendeu o que lhe havia solicitado. E daí em diante, passaria a se entender. O que o alienígena queria dizer era que: teria vindo parar ali, porque faltara combustível na sua aeronave. E mostrou uma fórmula de como poderia conseguir o tal adustível. Só que meu avô teria que ajudá-lo a conseguir os componentes químicos.

Na porta da despensa, escrito com giz branco, umas letras, um índio, feito de traços. Na verdade, cinco traços, os dois braços, as duas pernas, o tronco, e a cabeça, um pequeno círculo. Só se sabia que era o desenho de um índio, porque portava arco e flecha, e um pequeno traço sobre a cabeça dando a entender que fosse uma pena, ou um cocar.

E eis que Casteado apareceu. Lá estava, a lapa de xucro desengonçado. Casteado tinha acromegalia: a testa proeminentemente avantajada. De sua bocarra, os dentes pareciam não caber. Como sempre, não sabia onde por as mãos. Ficava mastigando com os dedos, as abas do velho chapéu de palha, trazido junto do peito. E ele lá, calado, plantado, na cozinha de minha vó. Não dizia um nada. Ao virar-se, e dar de cara com o afilhado. Minha vó, coitada tomou o maior susto. Afinal aquele lá, fazia anos já, que desaparecera. Até dado como morto, já fora. Bença madrinha! Ô menino! Por onde tu andava?  E me chega assim de madrugada? Como entrou? A porta eu nem abri ainda?

 



MAKE OFF




Nossa Senhora do Santíssimo Rosário



São Vicente de Paulo





Uma Rural, Automóvel amplamente utilizado pelos pecuaristas e empresários na década de 1970.





Maceió Alagoas num dia qualquer do Mês de Setembro de 2026.



Rua Maria Lila Carvalho




 É O FIM...

Ficaram as Estações... Conto. 28/09/2026


Fraglante da Lua na Noite de 28/9/2026 Rua Maria Lila Carvalho, São Vicente.



Coronel Manoel Rocha, apareceu andando a cavalo, na Maniçoba. Para ele a estrada continuava a mesma. Uma pequena mudança eram aquelas duas fileiras de casebres de taipa, a maioria, antes, coberta de palha de coqueiro. Agora, de telhas, de barro cozido. Iam emparelhadas brincando feito cavalinho de carrossel, acompanhando o sobe-e-desce do terreno. O velho Zé Rosa, morava na casa cor de rosa. Dona Sinhá, debaixo de um alpendre, ensinando a cartilha do abc e a tabuada, a meia dúzia de alunos. Usava o único mobiliário ali existente, uma moenda, e uns bancos compridos. O sol botava cuidado no mundo. O dia espiava pro céu.  Santana ficava escutando as orações que iam chegando, se dissipando, voando baixo nas bordas do altar. Bem pertinho de Jesus, escondido, quietinho, cochilando no sacrário. Depois as preces subiam, subiam, lá a cima do campanário. Ganhavam o vento, e sumiam. O casarão e o sobrado encostados na matriz, numa pausa, descansavam da labuta de século e meio de se estar ali. O intendente na intendência, no seu gabinete, recebendo gente, que chamavam de indigentes. A fila dobrava o quarteirão. Zé Doidinho passou carregando um ramo de flores. Com destino, a gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Ia cumprir uma promessa de dona Cristina. A tarde era uma assim de setembro, prelúdio de estação. Da casa de Seu Cariolano farmacêutico e delegado, pelas frestas das portas, deslizantemente fluia uma Sonata, a de Primavera, de Vivaldi.

Um copo de alumínio com água fria, pra quem tinha sede, que primor. Era como mergulhar numa fonte de delícias, bálsamo para os couros da garganta, debaixo do sol. O suor, a lágrima vertida que o rosto oferecia. Numa vã tentativa de refrigério. O moço que o Coronel Manoel Rodrigues viu enforcado, pendurado num galho da goiabeira, lá na maniçoba, no quintal de comadre Zélia. Era o mesmo que, por ciúme, matara a menina Elisabeth. Uma menina tão trabalhadeira. Magrinha, de dá dó. Olhos verdes, vivos, sagazes. Cara pintada de sardas. Dois bicos de peito apontando na blusa amarela, desbotada. O short jeans tão gasto, mas, tava na moda, apertando as coxas, finas. Menina interesseira que só. Buscando avidamente autonomia. Não depender de ninguém. Bolava planos. Plantava cebolinha, macaxeira e inhame, no terreiro por trás de casa. Esperava as chuvas, olhava pra serra da Camonga, marcava com um lápis os meses no calendário. Pensava, na aula que aprendera sobre os índios que deram o nome aquela elevação fascinante, tão misteriosa. Mais parecia uma noiva, esperando o noivo no altar. Ciço não gostava, porque Beth saía pelas ruas, vendendo suas hortaliças. Se corroía de ciúme, Também achava humilhante o que ela fazia.  Beth não via nada disso, só queria ganhar seu dinheirinho. Importante era poder comprar absorvente, sabonete, desodorante, biscoito recheado e cajuína que tanto gostava. E quando se desocupava corria, e ria feito criança, para a tarde de riacho do bode. As nuvens se embolando umas por dentro das outras. Numa agonia, numa pressa pra verter água. Semelhante gente com a bexiga cheia: Chuá! A cara rajada, de terra de macaxeira, migalhas de biscoito no canto da boca. Não alcançaria chegar ao alpendre do casarão velho, sem ensopar de chuva, pelo menos, a blusa. Em algum lugar muito distante dali, tocava Vivaldi, Sonata de Verão.    

Vigário Bello, seguia pela rua. Alcançou, num só tempo, a capela de Nossa Senhora da Piedade. Leu a placa na quina da bodega de Seu Zé Verçosa. Se admirou que tivesse virado nome de rua. Chapéu de Saturno, batina preta. Sol a pino, abriu o guarda-chuva negro. Na rua trêmula, algo negro ia se movendo. Em meio a isso tudo, os urubus olhavam, e deram de asas. O vigário, só eles viam. A praia dizendo Sal, as ondas dizendo Lina. Ajuntando os cacos dera de ir a Salina. O amontoado de casinhas. Abrigavam tarrafas, bóias de isopor, gererés, puçás e gente, se ajeitava por ali como podia. Na casa de dona Durvalina, o terreiro sempre bem varrido, pontilhado de flores vermelhas de Cássia. Seu Belinho, um dia fora prefeito. Agora só mandava na sua cadeira, preguiçosa. O cabo Jair Fausto, na porta da delegacia, sentado numa cadeira com o respaldo virado pra rua. A servir de apoio pros braços e separar as pernas. A igrejinha de Nossa Senhora da Piedade, desenhada de rococó, avisava que tinha mais de trezentos janeiros. Dali, da porta de onde estava, dava pra ver, eles chegando, corsários, homens maus, que batiam em negros, que matavam soldados da guarda real, saqueavam e roubavam armazéns de suprimentos. Já havia se passado mais de três séculos, e tudo permanecia como antes. O vigário continuou olhando.

O cabo Fausto, nunca tivera atrito com ninguém, Robson, esse sim. O seu amigo era de se meter facilmente em confusão, ao ponto de trocar tiros no meio da rua. Uma vez, chegou a tomar como escudo de proteção, uma mesa do bar de Quineu. Aquele maloqueiro, fumador de maconha, ele estava pensando o que, da vida? Ele não perdia por esperar, ia aprender a respeitar os homens de bem. A boquinha da noite, faltou energia elétrica. A cidade inteira caída, debaixo das asas negras de Guriatã. Criaturas ruins aproveitam a escuridão para colocar seus piores planos em ação.Tipo, aqueles que maturaram, planejaram, e não tiveram coragem de executar. Tudo porque a luz incomodava, a luz revelava, a luz denunciava. Robson sabia exatamente onde Antonio se refugiava, o morador de rua, costumava dormir embaixo das bancas dos mascates. Inclusive, ele, ganhava um trocado nos dias de feira colocando as mesas dos vendilhões no leito da rua. Os mascates os gratificavam. As terças-feiras dia que mais ganhava dinheiro.

Naquele dia arrumou confusão logo com um policial. Rosa amorosa a concubina, pediu-lhe uns trocados pra comprar sardinha, farinha de mandioca e uma garrafa de cachaça. Beberam a manhã toda, na casa abandonada. Acabaram dormindo. O vaqueiro senhor Marcondes, o dono da tapera. Jamais imaginara que seu imóvel estivesse servindo de abrigo pra moradores de rua. Naquela noite de breu, o destino tratou de juntar invasores de imóvel, proprietário, polícia. E desafetos por uma discussão de cachaça, em um bar, em pleno dia de feira. Somente na manhã do outro dia o saldo sombrio. Um cadáver na beira do riacho. O bar de Ciço de Quincas, e sua vitrola de móvel ABC “A voz de Ouro”. No seu acervo de vinil: Roberto Muller, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Núbia Lafaette, Dalva de Oliveira. Ninguém até hoje sabe dizer de onde apareceu. Só se sabia que estava lá. Dentre os demais, um disco de Vivaldi. Um tal de Senhor Smith, assim meio boêmio, meio caubói, estava jogando sinuca com um jogador fino “Agarina” era esse seu apelido. Ninguém nem sabia seu nome, era "Agarina" e pronto. Jogavam e tomavam cerveja. E disseram pra si mesmos: Por que não? Se referiam a botar pra tocar, e a radiola tocou: Sonata de Inverno, de Vivaldi. 

Quem nunca conheceu Ledo Ivo, nunca soube o que era viver. Qualquer cristão vivente, e também morrente, que vagasse pelo lombo da terra, pras bandas do Jaraguá, tinha diariamente oportunidade de vê-lo. Todo dia, ele passava por aquela rua. Belamente trajado na sua camisa, de botões, verde claro, calça de linho, bege. Vaporosos sapatos mocassim, sem meias. O Jornal e a gazeta de Alagoas enrolados na mão, encostados junto ao peito. Caminhava pela calçada da avenida. O tempo todo olhava pro mar, atravessava a rua. Quase sem automóveis àquela hora. E se deixava engolir pela boca antiga da rua dos casarões e armazéns dos estivadores. A mesma que ia dá na alameda do palácio dos comerciários. Ornada com imensas palmeiras, que guarneciam os suntuosos pilares do frontispício. Bem ali próximo ao beco das raparigas. O destino era sempre o mesmo o Bar das Sete Liras. Não fizera ainda uma semana que o estivador Davi, um negro de dois metros, só de músculos. Um titã. Pegara uma briga com o “Séba”, o pescador Sebastião, irmão de dona Augusta, por parte de pai. Ela vendia acarajé, na porta do mercado do artesanato. O brigão do estaleiro foi parar na delegacia, o das docas, no hospital.

Domingos Afonso Vieira de Souza, era o tabelião. O nome, apenas o nome, viera de Portugal. O sangue, e as esquisitices eram genuinamente brasileiras. O cartório tinha uma janela grande, preguiçosa. Dessas que ficavam a tarde inteira bisbilhotando a vida, da Praça Santo Antonio. Na parte da manhã nada de interessante: garis, leiteiro, padeiro, jornaleiro engendravam sua labuta. A tarde, a praça ficava mais atraente: casais namorando, sorveteiro, pipoqueiro, cães e gatos levavam seus donos a passear. E o sol que ali passara, jamais passaria incólume. Deixara sua quentura nos balanços, nos bancos, na areia, na grama, no chão. Agora mesmo, lá ia ela, a esfera de brasa quicando, languidamente, feito bola de festa, por entre os últimos telhados e coqueiros. Ia, com a certeza que no dia seguinte voltaria, vibrante, nascente. Pena que era àquela, hora, de dar adeus ao mundo. Ninguém sabia dizer como uma banca de mascate, foi parar no meio do arroio. A turba foi olhar, um homem amanhecera morto, na encosta do riacho. Não exalava cheiro ruim, ainda, era defunto fresco. Porém formigões, já escalavam o pescoço, a testa. Depois de muitos golpes de faca peixeira. A morte o viera buscar. Três coisas o cadáver apontava pra cima: O bico do nariz, sujo de terra, a ponta do cabo da faca, cuja lâmina jazia, totalmente, enterrada no bucho, e o pênis. A braguilha aberta, o sexo exposto, rijo. O sol amarelara tudo, tão de um jeito que as coisas todas, o mar, os alagados, arroios, céus, chãos, serras, abismos, infernos, purgatório. Tudo, tudo amareladamente da cor da Sonata de Outono, de Vivaldi.  







Rua Maria Lila Carvalho Bairro São Vicente. Santana do Ipanema - Alagoas.




Desenho de Minha Neta AIKA...


O CRISTO DA CAPELA DE SÃO VICENTE DE PAULO AO LADO DO ABRIGO PARA IDOSOS,
 DE MESMO NOME.


NOSSA SENHORA MARIA, SANTÍSSIMA.



SÃO VICENTE, HOJE 28/9 FOI SEU DIA.


 FRAGLANTE tirado de frente ao Santuário de Senhora Sant'Ana e São Joaquim.Algum dia da segunda quinzena do mês de Setembro de 2026.



Por hoje...É Só!