"AS COISAS... Arnaldo Antunes [2006]"



As Duas Irmãs Les Deux Sœurs*, 1843, de  Théodore Chassériau.

Era manhã, outra vez manhã. O sol invadia a casa, tornando liquefeitas as coisas todas. Uma estrada de paralelepípedos. Um céu azul, locupletado de luz, e calor. Chamuscando nuvens brancas, capazes de queimar a pele se fosse tocada, por um considerável período de tempo. Um prédio novo, de linhas retas, um portão calado. Grades pra proteger, os que estavam fora, dos que estavam dentro.

“Todos eles traziam sacolas, que pareciam muito pesadas. Amarraram bem seus cavalos e um deles adiantou-se e indo em direção a uma rocha gritou: “abre-te cérebro!”*

A entrada lhes foi permitida. Sala de espera. Os dias nunca foram iguais. E dali por diante, jamais seria os mesmos. Cesto com revistas, balcão de recepção, bebedouro com água refrigerada, sem copos descartáveis. Napoleão, conversando com Bin Laden. Kunta-Kintê o jovem negro africano, num canto, arredio. Hebe Camargo pernas cruzadas calmamente se olhava no espelho do aparelho móvel de telefonia. Zé Crispim andara solto, aprontara novamente, discutiu com um rapaz. O moço só queira se divertir. Deu três tiros, depois largou o revólver sobre a mesa. Pobre moço, da mesa de bar, pro hospital, do hospital pro cemitério. E Zé Crispim dentro de outra pessoa, evadiu-se do local. Para, sessenta anos depois, não mais ser encontrado.

“As pedras são muito mais lentas do que os animais. As plantas exalam mais cheiro quando a chuva cai.”*

Hitler acreditava que ainda poderia recrutar seus aliados. Desta vez mobilizaria mais da metade, da população. Aboliu seu bigodinho, mantendo, porém, o mesmo estilo de cabelo. Outra vez, se candidatara a presidente. As vacas holandesas pastavam entre os velhos moinhos. E sua pelagem branca com manchas negras, a perpetuarem a enganosa ideia de paz, saúde, e leite branquinho na mesa dos camponeses, na mais pacata das vidas campesinas. Num longínquo mundo irreal. Meninos galegos de cabelos escorridos corriam em direção ao riacho. Bando de pardais descansava nos galhos da frondosa craibeira, barulhentamente.

“As andorinhas quando chega o inverno voam até o verão. Os pombos gostam de milho e de migalhas de pão.”*

A água aparentemente não era possuidora de sabor. Molhava melhor por fora, que por dentro. Um pote rachado lacrimejante ensopava a rodilha, e vertia-se pelo rosto resplandecentemente resfriando-o. Refrigério era olhar pra casa e ver, lá dentro sua alma. E lembrar do quão prazeroso era estar sobre aquele teto. Tomar os medicamentos era necessário antes que viesse a sensação de não ser.

E chegou uma família. Um pai, um senhor de meia idade, com um filho e uma filha, adolescentes. O pai portava: a chave do carro, e seus cabelos grisalhos; o filho: pequenas tatuagens nos braços; e uma camiseta, de quem curte: sol, praia e rock. A moça de longo vestido, e cabelo negro entrançado. Aproximaram do balcão. Solícita a recepcionista quis saber: internação? Sim, respondeu a jovem. Quem? O pai.

“Os homens quando vêm de longe trazem malas[...] As máquinas de fazer nada não estão quebradas.”*

André, o apóstolo, seria o quinto a ser atendido. Precisava tomar o anti-ansiolítico, o analgésico pra dor de cabeça, e o anti-epilético, contra as convulsões. A moça do balcão conseguiu-lhe um copo descartável, contendo água potável. Araras discutiam nos galhos da goiabeira, ali ao lado. Dava pra ver suas sombras refletidas, no vidro do quadro de avisos que havia. Sublinhava-lhe, em uma folha de almaço, o desenho de uma boca sorrindo, sobreposta com os sinais de interrogação e exclamação, respectivamente, pintados com esmero. O paciente interno que pintara, era provável que teria assinado sua obra. Vista e gravada para sempre, na mente de quem sentara naquela sala de espera.

“Os sábios ficam em silêncio quando os outros falam.[...] As páginas foram escritas para serem lidas[...] Cabelos quando ficam velhos ficam brancos.”*

O senhor bebe? Claro que bebia! Preferiu responder com um clássico adjetivo: “Socialmente”. Pensou: E viva o socialismo, tão permissivo até para quem bebe. Entendera que a pergunta era específica para o consumo de álcool. O doutor especialista em cabeça, que jamais tirara os olhos de seu laptop, nada mais questionou a respeito da sua resposta. Então, fez questão de complementar: Minha religião não admite, porém, tolera. Vivia, no entanto, abominando os preceitos religiosos: pensou. Calculou mentalmente que conseguira a proeza de: seis meses, quatro dias e treze horas, sem ingestão de substância que contivesse etanol.

“Crianças gostam  de fazer perguntas sobre tudo. Nem todas as respostas cabem num adulto.”*

Admoestados no espírito, pacientes, pacientemente, porém não muito, jogavam. Preenchiam o tempo jogando dominó. E caso se cansasse daquilo, um tabuleiro de damas os aguardava encostado serenamente. Um maço de cartas dormitaria até um quarteto de gente as ocupasse. Sobreviventes de suicídios, vítimas de estupros, escapados de atentados, de grupos de extermínio, usuários de drogas, dependentes químicos, alcoólicos. Compartilhavam da mesma dor. Das mesmas dores, e comprimidos servidos entre controlados intervalos os sustinham lúcidos. Não discutiam sobre o que os levara até ali. Se vinham as crises, dois brutamontes vestidos em jalecos brancos os imobilizaria, aplicava um “sossega leão”. O quarto do isolamento. E a tranquilidade dantes, voltava a reinar. 

Vincent Van Gogh apareceu, literalmente. Cabelos e barba ruiva em desalinho. A orelha cortada, ainda envolta num trapo encardido. Achei-o parecido com um amigo de infância, que se chamava Samuel. Morava na rua São Vicente, o pai era fotógrafo. A mãe evangélica. Dar-lhes-ia um nome bíblico assim como aos demais irmãos, José Maria, Maria, e Davi.

“O corpo existe e pode ser pego. É suficientemente opaco para que se possa vê-lo. Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo.[...]*

A conversa foi curta, porém, proveitosa. Vagou pela beira do rio, do riacho, das montanhas que circundavam a cidade. Voltaram ao campinho atrás da casa de Seu Evilásio, subiram o alto do Cruzeiro. Colocaram o joelho, na covinha na rocha, onde Jesus se ajoelhou. São Miguel, o arcanjo, o anjo da guarda, não suportando mais ouvir tantas reminiscências dentre os amigos, de infância. E que, cinquenta anos depois, se reencontravam, numa sala de espera, de um centro psiquiátrico, afastou-se deles. Ficou na porta olhando o movimento. Os legionários de leviatã, ao vê-lo, passavam de largo.

Uma mãe, olhando assim meio que assustada, disse: Você viu? Achou melhor concordar: concordou com um aceno de cabeça. E Ela: É minha filha! Na verdade, ele não tinha visto nada. Concordou na esperança de não dar vazão a qualquer assunto com alguém que não conhecia. Mas é sempre assim, aquilo que mais tentamos evitar, indubitavelmente vem-nos com veemência. Estava tão bonita com aquele vestido. Continuou a mãe. Tinha oito anos quando morreu... Atropelada.

“O corpo tem alguém como recheio.”*

Duas moças entraram no recinto. Dirigiram-se ao balcão de recepção. Estavam de mãos dadas. Não largavam a mão, uma da outra. Eram muito parecidas. Dada a semelhança, só podiam ser gêmeas. Os cabelos longos e negros traziam-nos escondidos sob lenços coloridos, amarrados com vistosos cordões que lhes desciam sobre os ombros. Suas vestes era como a de mulheres do mundo árabe, talvez mulçumanas. Não queriam serem internadas, apenas marcar consulta, com o psicólogo.

“Para passar de um lugar a outro existem as portas.[...] Os meios de transporte chegam ou vão embora. As portas são meios de transporte que ficam no mesmo lugar.”*


*As citações, entre aspas, em itálico, são do livro: “As Coisas”, de Autoria do cantor, poeta e intérprete Arnaldo Antunes [2/9/1960] ex-“Grupo Titãs”. Foram tiradas das páginas: 11, 13, 21, e 23.Editora: Iluminuras. 2006.



Make Off






Make Off   2



As Duas Irmãs Les Deux Sœurs*, também conhecidas como

 Mesdemoiselles Chassériau*. Pintura a óleo sobre tela de

 1843, de autoria do artista romântico francês Théodore

 Chassériau.






trecho de página da revista  Beaux-arts [Belas-artes] que se encontra dentro do balaio de revistas a disposição de quem esteve [ ou possivelmente precise estar]  na Sala de Espera do CAPS* de Santana do Ipanema - Alagoas.

Centro de Atenção Psicossocial.*



Fabio, o cantor [camisa azul] e seu grupo. Restaurante e Pizzaria João do Lixo, Onde se apresentaram no último: 17/10/2026.





Detalhe Da Pintura   Les Deux Sœurs*   "As Duas Irmãs" 







Dominic [ano e meio] Aika [6 anos] Ycaro [sete anos]








John Gabriel Caetano Medeiros [aos seis anos, talvez]







POR HOJE É SÓ...



Tim-Tim...

BARES DE SANTANA CORDEL 17/10/2026.




     BARES DE SANTANA

                    (De Hoje e de Outrora)

 

Se você gosta de tomar uma
com os amigos bater um papo
ver os assuntos da semana
e um tira-gosto com cana
vá lá na Toca do Pato!
Se é pra assistir o futebol
não fique em casa sozinho
pegue do time a bandeira
vá ligeiro na carreira
direto ao Bar de Neguinho!


Pra assistir um DVD

várias opções de recinto
João do Lixo e Bius Bar
Bar de Evandro e Dona Van
Wanderley e Jota Pinto!
Tem bares que é uma beleza
o visual é um encanto
fuja ligeirinho da fossa
visite o Caminho da Roça
e o Xocants de Zé dos Santos!

Lá no Bar de Erasmo!

Pra tomar umas lapada

Tira-gosto é fundamental

Prato de cágado é cagada
pra encontrar uma Buchada
Só se for no Bar do Báu!


Batida vai gelo e açúcar
e uma partida de sinuca
Bar de Didi do Estadual!
Lembrei do Bar de Bigode
 O famoso Cuscuz com bode
Só no Bar Comercial!

   A carne boa de sal
No Didi do Bode Assado
tem Ciço e o Bar do Telhado
serve  picanha legal!


Na barragem o Bar do Charque.

na Cohab o Defuntão
o Maracanã, Love Nigth
vá tomar uns birinigth
no Bar de Dona Brejão
Visite o Bar das Mangueiras
bacana é o Bar de Moreira
E o Sobrado de Maria Sabão
já estive em Soares e Suné
        já fui no Alto da Fé

Fui no Bar de Lula Lelé
                  e no Bar de Avião!

 

Aquarelas é de Geraldo
Bom caldinho só o de Manjado
A Praça de Alimentação
fui freguês de Mundo Errado
Lanchonete de João Salgado
Quiosque Frei Damião!
Você deve se lembrar
tinha o Bar do Samburá

E o famoso Defuntão!

Seu Antonio e a Maringá
E o Bar de Bem-Ti-Vi
O de Junior de Dernancy
Boate de Guiomar
Tivemos um dia Rei Bar
tinha o Bar de Seu Tibúrcio
também o Bar de Petrúcio
onde será que está?

Vamos lá meu companheiro

O Bar de Seu Lira era a Glória

Está em nossa memória

Dos velhos e bons seresteiros

 

O liso não compra nada
E no Bar da Feijoada
Só vá se tiver dinheiro!
Se for, venha me chamar

 

No Bar de Lula Santana

tem meninos bom de Cana
             Lá e no Juventud's Bar!
         Quando o bebo tá num bar
         Parece que está no céu
      Bar da Rodoviária e Varandas
        Onde chega é O Bêbo quem Manda
           Tem o Bar do Bellus Hotel!


Ali perto o Bar das Quentinhas
lembro o Bar de Dona Branca
E perto da Rua das Pedrinhas
Tem o Bar de Mula Manca!
Bar chamado Mandacarú
sabemos que tem aos montes
mas um bar em baixo da ponte
só vi o Bar de Raul!
Jogo do Bicho e carteado
sinuca e jogos de azares
esse ficou na memória
faz parte da minha história
era o Bar de Zé Soares!


O Pinguim de Seu Nozinho
também o Bar de Quidinho
Quem é do tempo recorda

Existiu o Bar das Cordas
Em Ivone já fiz meu rancho
Bem pertinho da feirinha
                  Tinha o Bar de Quiterinha
    Já foi o Bar de Mili Gancho!
                  Perto de Areias Marinosa
         Zé Alves na Maniçoba
                  Ruas dos Porcos Geronço!


Já estava nos meus planos

falar também do Bar do Mano
O Bar Wanderleia de Val!
Se sente bem quem lá chega
Quem vai ao Bar de Letrinhas!
Se for dirigir não beba
mas visite o Bar da Nêga
Lá na Rua das Pedrinhas!
Chame um amigo não vá só
Acerte o pé no caminho
Tomar Pitú com mocó  
Com caldo de mocotó
No querido Bar de Nelinho.
 

 

Quem se lembra do Supimpa
              os donos eram precavidos
          tiveram idéia original
         tinha um quartinho especial
            Pra guardar bebum "vencido"

 

 Eu sei que alguns bares

com certeza não citarei
Me desculpem esse porém
Pra felicidade do bebum
é que quando fécha UM
com certeza abrem CEM!

 

 

 Autoria: Fabio Campos. 26/01/2009.

Portal Maltanet.com.br

Na coluna: Literatura;

Sessão: Poemas.











MAKE OFF










Fraglante da Serra da Camonga em ida ao CAPS de Santana do Ipanema.










Dois momentos importantes para mim. Minha mãe cantando na casa de meu irmão Sérgio Campos. Saudade, já se vão 7 anos. E meu amigo irmão Silvano Gabriel, no improviso, atuando. Numa reunião de artistas do município de Santana na Casa da Cultura.


Por hoje, é só...









 

CORDEL SANTANA EM VERSOS POESIA 14/10/2026

































































MAKE OFF






TERÇO DOS HOMENS PARÓQUIA SENHORA SANTANA - CAPELA SÃO PEDRO
OUTUBRO 2026



NOSSA SENHORA DE GUADALUPE IMAGEM PEREGRINA VISITA MINHA HUMILDE RESIDÊNCIA OUTUBRO 2026.





                           POESIA   BANDEIRA DE SANTANA, ORIGINAL





 





É SÓ ....POR HOJE!


CORDEL BANDEIRA DE SANTANA POESIA 14/10/2026














Make Off


 





SHOW DE ROCK CARNEIROS -ALAGOAS DOMINGO 11/10/2026.






Minha Neta OLIVIA Alguns Dias ANTES... DO DIA DA CRIANÇA Outubro DE 2026.





ANDOR DE SÃO VICENTE DE PAULO NA CAPELA DO ABRIGO DOS IDOSOS Em Santana do Ipanema. Logo após a Procissão em Honra ao Padroeiro do Bairro SÃO VICENTE DE PAULO Outubro de 2026.



Sepultamento de FLÁVIO VIEIRA Em Senador Rui Palmeira - Alagoas outubro de 2026


Vá em Paz, meu Irmão!


É SÓ.....