FICÇÃO Ano 2000 -Negativo [POESIA]

HOJE 25 DE JANEIRO DE 2018, M AIS UM DIA
CANSADO, ESTOU DESSA VIDA...NÃO AGUENTO MAIS...
QUERIA QUE UM DIA DESSES, EU FOSSE DORMIR...
E AMANHECESSE MORTO!
E FICARIA LIVRE DESSE SOFRIMENTO
ESSA MINHA ROUPA SURRADA
CADA VEZ MAIS FOLGA NO MEU CORPO FRANZINO
DESNUTRIDO...
ESTÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL ALIMENTAR-ME!
DAS DUAS REFEIÇÕES DIÁRIAS
A MUITO, DIMINUI PRA MEIA.
MEIOS DE COMUNICAÇÃO? 
A MUITO, DEIXARAM DE EXISTIR
MEU RELÓGIO DE PULSO, ANTEONTEM PAROU DE VEZ.
QUAL DIA DA SEMANA ESTAMOS? NÃO SEI.
NÃO HÁ NADA PELO QUAL EU POSSA ME ORIENTAR...
ENERGIA ELÉTRICA? DEIXOU DE EXISTIR 
DESDE QUANDO AINDA ERA RAPAZ. 
AINDA LEMBRO
HOUVE UMA REVOLTA MEDONHA!
MAS DE NADA ADIANTOU...
SÓ MAIS MORTES E DIFICULDADES
AGORA A POUCO FUI ATÉ A JANELA
O MUNDO VIROU UMA MASSA CINZENTA...
MAL SE PERCEBE O SOL!
NEM UMA PLANTA SE QUER, NEM UM ANIMAL!
O QUE SE VER É AMONTOADOS DE LIXO
E FARRAPOS HUMANOS!
GENTE MORTA, SE AMONTOA PRA TODO LADO!
AINDA DÁ PRA PERCEBER QUE HÁ ALGUNS VIVOS!
A MAIORIA PORÉM, ESTÃO MORTOS!
NESSE EXATO MOMENTO UMA PILHA DE CADÁVERES
SE INTERPÕE A PORTA. NEM CONSIGO ABRIR!
SE O CONSEGUISSE FATALMENTE
UM MONTE DELES CAIRIA CASA ADENTRO
ENTRARIA COMO O VENTO FRIO DO INVERNO...
AGORA É ESPERAR QUE PASSE O "KATAFUNG"
UMA ESPÉCIE DE COLHEITADEIRA DA PREFEITURA
QUE RECOLHE CADÁVERES... E LEVA PRA INCINERAR 
SÓ ASSIM PODEREI ACOMPANHAR OS "ORBYS" 
UMA ORGANIZAÇÃO ALTERNATIVA QUE VIVE 
A BUSCA DE ALIMENTO
O MUNDO... NOSSO MUNDO...CADA VEZ PIOR!
LIXO! E GENTE MORTA POR TODA PARTE!
NÃO DÁ PRA AGUENTAR ESSA POLUIÇÃO
ESSE CHEIRO FORTE DE CARNIÇA HUMANA!
NOS BECOS ESCUROS. ONDE A LUZ NÃO CONSEGUE IR
DÁ PRA SE OUVIR PASSOS...
QUE TORNA-SE EM CORRERIA
ELES TEM MEDO...
TRATA-SE DOS "FUNKIONS"
ERAM HUMANOS COMO NÓS
MAS PASSARAM A ALIMENTAR-SE DE CADÁVERES
ELES COMEM CARNE HUMANA!
COMEM GENTE, EM ESTADO DE PUTREFAÇÃO!
TENHO MEDO DE VIRAR UM DELES!
DE ACOSTUMAR-ME COM O MUNDO DO JEITO QUE ESTÁ
DESSE JEITO...
ESCREVO NESSE PEDAÇO DE PAPEL...
QUE SERÁ LEVADO PELO VENTO...
(QUEM SABE... ALGUM DIA ALGUÉM VAI LER ISSO)

POESIA FEITA POR: FABIO CAMPOS
EM: 14 de Julho de 1978 [Esteve guardada por mais de 40 anos]

O Desenho foi feito por AIKA [ Neta do autor, de apenas 7 anos]
NÃO FOI O DESENHO feito exclusivamente para esta Poesia.






FICÇÃO ANO 2000 +Positivo [Poesia]




FICÇÃO ANO 2000 [+POSITIVO]

DIA 25 DE JANEIRO DE 2018. ACORDEI
PARA MAIS UM DIA DE TRABALHO.
ESTOU CANSADO
DESSA VIDA...
NÃO AGUENTO MAIS
TODO DIA, SENTAR NAQUELA POLTRONA
E APERTAR OS BOTÕES
FICAR REVISANDO AS TAREFAS
DOS ROBÔS, PELO PAINEL DE CONTROLE.
NÃO QUERO MAIS...
ESSE TERNO VELHO
JÁ ESTOU SATURADO DELE
COM ESSES BOLSOS
UM COM TELEVISÃO
OUTRO COM VENTILADOR
UM COM AR CONDICIONADO
E ESPELHO RETROVISOR
NÃO ENCONTRO AS BISNAGAS
DE MACARRONADA
TENHO QUE ME CONTENTAR
COM CÁPSULAS DE GALETO
NO JANTAR
ESSES SAPATOS MÓVEIS A VAPOR
ESTÃO ME INCOMODANDO
JÁ DEVIAM TER INVENTADO ALGO MELHOR...
UMA CADEIRA COM CONTROLE REMOTO
TALVEZ 
MELHORASSE ESSE ENGARRAFAMENTO
DAS NAVES ESPACIAIS NO TRÂNSITO
PELA JANELA VEJO DUAS VELHOTAS
CONVERSANDO
OUVI QUE UMA RECLAMAVA
QUE AS NOVELAS DA TV NÃO SÃO MAIS
COMO ANTIGAMENTE
DE “ROMANCE NA LUA”
 PASSOU A
“AMOR ASTRAL EM URSA-MAIOR”
ALGUNS MENINOS BRINCAM NA CALÇADA
ROLANTE
NÃO VÃO MAIS PRA ESCOLA
O NEGÓCIO AGORA MUDOU
A CADA ALUNO DERAM UM MINI COMPUTADOR
ACABEI DE LIGAR PRO MEU SUBSTITUTO
AUTOMÁTICO
ELE DARÁ CONTA DO TRABALHO
PROGRAMEI MINHAS FÉRIAS! VOU PRA MARTE!
VI UM GUIA DE TURISMO DIZENDO
O QUE TEM LÁ?
UMA COLÔNIA DE FÉRIAS QUE É UMA MARAVILHA!
TEM QUADRA DE ESPORTES, UMA FLORESTA
ARTIFICIAL QUE TEM ATÉ ANIMAIS!
ACOMPANHA COMO PROMOÇÃO UMA VIAGEM
POR TODA VIA LÁCTEA
NA NAVE TURBILHÃO
NA COMPANHIA D “AS GAROTAS DO ROCK CIDERAL”
ESTOU DE SAÍDA...
PARTINDO PRA GOZAR AS FÉRIAS
DESLIGANDO CÂMBIO...
ISSO É UMA GRAVAÇÃO...
ISTO É UMA GRAVAÇÃO...

ISTO É UMA GRAVAÇÃO...


POESIA DA SÉRIE: IRREVERÊNCIA
De um velho Caderno espiral guardado a mais de 40 anos.
DATA DA COMPOSIÇÃO: 13 DE JULHO DE 1978.
DESENHO: AIKA [neta do autor]FEITO EM MARÇO DE 2019.

LENDA Poesia



LENDA

- CAIPIRA OLHOU PRA CIMA E ADMIROU O CÉU...
DA BOCA
- CAIU UM CISCO NO OLHO...
DA RUA
- ACHOU BONITO OS LÁBIOS DA BOCA...
DA NOITE
- O ALFAIATE TECIA O MANTO...
DA NOITE
- PRA ISSO USAVA A LINHA...
DO HORIZONTE
- CAIPIRA COMEU O PÃO...
QUE O DIABO AMASSOU
- CAIPIRA DORMIU NO LEITO...
DO RIO
- CAIPIRA RECEBEU CARTAS...
DE BARALHO
- CAIPIRA SAIU DA CASA...
DO BOTÃO
- CAIPIRA SUBIU A SERRA...
DA FACA
- UM MACACO COMIA BANANAS...
DE DINAMITE
- UM CAVALO PASTAVA GRAMAS...
DO PESO DA BALANÇA
- CAIPIRA ATIROU UMA FLECHA...
COM O ARCO-ÍRIS
- ACERTOU O CORAÇÃO...
DA CIDADE
- CAIPIRA MATOU O CAVALO...
DE TRÓIA
- CAIPIRA TIROU O CHAPÉU DA CABEÇA...
DO ALHO
- E BEIJOU A FACE...
DA TERRA
- CAIPIRA MATOU...
A CHARADA
- ÔÔÔ CAVALO...

*Releia, agora somente os versos que começam com travessão, e terminam com reticências.

Poesia Título: LENDA
Da Série: Irreverência
Data de composição: 12/07/1978
Ilustrada por uma desenho de Aika [É neta do autor, conta com 7 anos de idade]
Desenho feito em: 09/03/2019 [não, exclusivo pra poesia]






ORQUESTRA Da Série POESIAS



POESIAS*

DE HOJE EM DIANTE vamos postar POESIAS encontradas dentro de uma velha mala. Coisas de Adolescente.

Série: Irreverência

Poesia.  Título: ORQUESTRA

O MAESTRO COM A BATUTA
ERA NA BATATA
O RECO-RECO RALAVA COCO
A LIRA TEMPERAVA
ALGUMAS NOTAS MUSICAIS
O TROMPETE TROPEÇOU
E DERRAMOU UM LITRO DE LEITE 
EM PÓ
O VIOLINO ESTICADO
EM CORDAS VOCAIS
A HARPA FISGOU
UM PEIXE ASSADO
O PIANO TOCAVA ALGUMAS NOTAS
DE QUINHENTOS CRUZEIROS
OS PRATOS CHEIOS DE SOM
AO MOLHO PARDO
O SAXOFONE LIA RECEITAS
DÓ-RÉ-MÍ
O VIOLONCELO APERTAVA AS TRAVES
TRAVES, TRAVAS E TRAVESSAS
A TUBA NÃO FOI SUFICIENTE
PRA MARCAR UM GOL 
NA TRAVE DO VIOLINO
O BOLO, MELHOR DIZENDO, A BOLA
FOI PRA ESCANTEIO
O TRIANGULO E O GANZÁ
ENFEITAVAM O BOLO
O BOMBO COM SEU CAMBITO 
CABEÇÃO
SOCAVA UM FÁ-SÓ-LÁ NO PISTÃO
A FLAUTA MEXIA O AGOGÔ
COM UM TROMBONE DE VARA
A BATERIA NÃO TINHA MAIS PRATOS
NO ENTANTO HAVIA TAMBORETES
 PRA SENTAR
O MAESTRO ERA UM CARA CUCA LEGAL
O MESTRE-CUCA ERA LEGAL
TODOS QUERIAM UMA BANDA
MAS SAIU UM BOLO INTEIRO
DEPOIS QUE TODOS ESTAVAM SERVIDOS
OUVIU-SE UMA LINDA MELODIA
AO SOM DA BANDA; "OS COZINHEIROS"

Composição: Fabio Campos. EM: 08/07/1978
Desenho que ilustra: Aika (neta do autor, de 7 anos de idade)










CORPO DE BAILE



A moça. Preferiu ficar sentada. A cadeira. Os óculos repousavam sobre a mesa. Sérios. A bolsa solenemente sóbria. O maço de cigarros. Uma romana passou. Seria grega? Talvez de Atenas. Mulheres de Atenas. Agora sorriam. Onde estariam seus maridos? Um faquir, a fugir de si. Um árabe que nada sabia de goma arábica. Uma turba de ladrões, com seus sacos de embustes. Um casal, de corruptos. Desfilavam. Como que sozinhos. Abandonados. Espantalhos claudicantes, de sim mesmos.  Entre as mesas, quase vazias. O povo.  Boa parte no dancing. Esbaldavam na falta de sinceridade de Aurora. “Se você fosse sincera ô ô ô Aurora. Veja só que bom que era, ô ô ô Aurora.”


DINHEIRO

Um litro de uísque. Presumiu que pudesse ser furtado. Ali, abandonado. Nunca sairia da mesa. Jamais aberto. O gelo das máscaras inexoravelmente derretendo. O gelo dos copos. Insólito! Desmaiado. Furtivamente suando. O gelo. Se esvaia. Em bicas. Cubos de água de coco, a boca. Salgadamente, adocicado. Adocicadamente salgado. O gelo da noite inexistia. Um bafo abafado, sufocante. Gotas salgadas de suor precipitavam rosto à boca. Um deserto invasivo de corpo. Primeira noite, sem alma. “Tanto riso ó quanta alegria mais de mil palhaços no salão. Alerquim está chorando pelo amor da Colombina No meio da multidão.”

Os bufões, pastelões. Acabaram subindo ao palco. O cantor cantou, encantou. Desencantou. Encantou-se. De si para si mesmo. A um canto, a marchinha se esborrachava contra as paredes. “Quanto riso ó, quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão. Arlequim está chorando pelo amor da colombina, no meio da multidão. Foi bom te ver outra vez. Tá fazendo um ano. Foi no carnaval que passou. Eu sou aquele Pierrô. Que te abraçou e te beijou meu amor. Na mesma máscara negra. Que esconde o teu rosto. Eu quero matar a saudade. Vou beijar-te agora. Não me leve a mal. Hoje é carnaval.”

Ninguém bêbado. Estavam todos tontos. Alucinadamente. Como que? Flutuantes. Antes. Flutuassem. Não torpor. Horror. Todos zumbires. Zumbido de ouvidos, Redemoinho tétrico. Umas que riam. Meneavam a cabeça. Em câmara lenta, sorrindo. Tetricamente. Espasmos de rosto. Dentes. Alvos, cor de sangue. Sorriam tetricamente. Sobriedades de não sóbrios. Vulgo vultos, volvendo vulgares. Sobriamente sombrios. Não sóbrios. Como que enganando as próprias máscaras. Lança-perfume lançado no ar. Estado líquido. Estando só. Solidamente gás. Tampões. Pulmões. “Menina me dá seu amor ai, ai, ai. Madrugada já clareou. Parece que tudo termina em carinho. Você é tão linda, e eu tão sozinho. A onda te trouxe, Sereia do Mar. Princesa do céu, quero namorar.”

Nunca, aquelas paredes foram nuas. Exageradamente, nunca foram. Nunca, jamais se despiram. Nem ninguém, as despiriam. Nunca. Jamais foram verdadeiras. Sempre. Enganosas. Escorregadias. Sempre. Vendendo sonhos. Imperfeitos. Ilusões baratas, que murchavam. Com o passar dos anos. Os que um dia. Ali passaram. Em algum momento de suas miseráveis vidas. Adoeceriam de doença grave que os levariam a morte. Ninguém. Quanto a isso poderia fazer nada. Nada podiam fazer... Nada. Absolutamente. Para que fosse diferente. Sempre assim. Seria. Os filhos, dos pais, e os pais dos filhos. Passariam de geração pra geração. Tornar-se-iam novos foliões. Que se deixariam apaixonar. Se seduzir. E jamais esqueceriam aquele carnaval. Em especial. Aquele.

SEXO

Não era pra deixar o sexo a vista. Mas estava. Pra quem quisesse ver. Ninguém se incomodava com isso. Pelo contrário riam. Afinal. Era carnaval. Tudo. Era válido. A vista, nenhum tipo de censura a vista. As moças de longos cabelos, parecia nunca estarem lá. Viam o que não deviam ver. O homem com seu sexo exposto. No meio do povo. No meio do frevo. Nunca estivera lá. O calor de corpos. O calor dos cães. O calor aconchegante dos infernos. O suor porosamente suando. Carnaval de indecisos. De incircunciso. De idólatras. Metidos, e mentindo a jovens. Pequenas flores nunca antes tocadas por varões. Virariam. Espumas. Se esvaiam pudores. Se iam. Cabelos e seios molhados. 

E mesmo um milhão de tempo jamais conseguiria apagar de suas memórias o que viviam, e viam, naquele instante. Pele de tigre. Pelos de gente. Roçando. Infatigável veneno. Doce empatia. Discórdia. Azulejo salpicado de empáfia e luz. Mosaico deturpado. Vinha uma antiga fadiga de ser e de pensar. De esquecer e lembrar. O quanto fora bom. Já não mais. Nunca mais seria o mesmo. “Nos quatro cantos cheguei . E todo mundo chegou. Descendo a ladeira. Fazendo poeira. Atiçando calor. E na mistura colorida da massa. Fui bater na praça a todo vapor. Descambei passando pelos bares. Cherei a menina e voei pelos ares. No pique do frevo caí como um raio. Me segura se não eu caio. Me segura se não eu caio.”

O DIABO

Ódio a todos. Sacrifício de corpo. Adeus aos delírios. Ódio ao ódio. Delírios nunca mais. O chão fugia. O sol nunca mais iria aparecer. O coração dizendo pra que veio. Do que era feito. Pra que servia. Pra morrer. O arlequim fez amor com o pierrô. Pierrot que errou. Colombina apenas sorria. Traindo se traía.  Mil vezes se preciso fosse. Não queria ser. Só queria ser. Nunca quis ser.

Meu Deus como você era linda! Deixou-me louco de amor. De amor por você, que nunca me amou. Nunca existiu de verdade. Você é uma fantasia inventada. Por mim mesmo. Invenção da minha cabeça. Só pra contrariar. Invenção duma noite de carnaval. As vaginas todas tinham cheiro de suor. O suor exalava. Cheiro de vagina. Os seios brincavam. Carnaval. A fantasia que nunca ficava pronta a tempo. Os aviamentos pregados as pressas, acabavam soltando. Não resistindo ao frevo. E os sexos tão desejados, se expunham a apreciação de olhos ávidos.

Um. fantasiado de diabo. Estaria fantasiado? Não seria o próprio. Tão real. E como se parecia muito com o diabo. A pele vermelha. Seria tinta vermelha? O corpo inteiro. Nenhum pedaço de tecido sobre. Somente tinta. O sexo pintado. Como de borracha. Os pelos grudados a pele. O álcool, nunca foi amigo de ninguém. A fome de frevo. A sede, de sexo. A vontade de beber, tinha que ter. Fim. A vontade de fazer sexo. Queria transar. Queria possuir. Esfregava-se nas mulheres. A moça pirata abraçada com o cão.  Se beijavam. Ele a possuía. Em pleno salão. O desenho, do fundo, com o olho cego. Sorria! Não estava sério a pouco? O tapa-olho. O tapa-sexo, que inexistia. O fundo do olho que não via. Nunca via. O que nunca queria ver. A música, desenhando desenhos. Melodias nas paredes, nas roupas, nos sexos cheios de luzes.

As fantasias fantasiam fantasmasiavam seres que nunca deveriam existir. Nunca mesmo. Jamais existiram.  Desistiriam de existirem de excitarem de exercitarem, de excluírem todos. Duma única vez. Pra nunca mais.  Até ano que vem.

Fabio Campos, 02 de março de 2019.